Diesel R$1,00 por litro mais caro? Como o impacto da guerra no Oriente Médio já chegou nos postos brasileiros


O mês de março começou de forma preocupante para quem depende de óleo diesel no Brasil. A escalada do conflito no Oriente Médio voltou a pressionar a cadeia global de petróleo. Países relevantes para a produção e logística da região, até então considerados mais “neutros”, como Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos, registraram ataques com mísseis e drones iranianos, aumentando a tensão e o risco de interrupções no fornecimento de petróleo.

O aumento nas tensões elevou os riscos no Estreito de Ormuz, local por onde escoa cerca de 20% de todo o petróleo mundial. A instabilidade aumenta o risco de falhas no abastecimento, seguros, fretes marítimos e encarece o transporte de petróleo, resultando aumento nos preços.

Com esse pano de fundo, o barril do petróleo avançou e ultrapassou a marca de US$ 80, acumulando alta de quase 25% em 2026. E, mesmo estando a milhares de quilômetros do Brasil, essa pressão chega ao nosso mercado por dois canais principais: refino privado e importação, ainda que a Petrobras não tenha anunciado reajustes no período.

Primeiro, porque apesar da predominância da Petrobras, alguns estados têm parcela relevante do consumo atendida por refinarias privadas, que tendem a repassar com mais velocidade as oscilações internacionais. É o caso da Acelen, na Bahia, e da REAM, em Manaus. Na Bahia, a refinaria já anunciou dois aumentos em março, somando R$ 0,90 por litro no Diesel A. Em Manaus, a REAM reajustou o combustível em R$ 0,57.

Segundo, porque o Brasil ainda não é autossuficiente em diesel: aproximadamente 30% da demanda é atendida por produto importado. Esse volume segue, naturalmente, o preço internacional (e o câmbio), então parte do aumento do barril aparece aqui mesmo sem mudanças diretas na tabela da Petrobras.
Sobre a ausência de reajustes pela estatal, vale acompanhar os próximos capítulos. A Petrobras já vinha operando com preços abaixo das referências internacionais, e a recente alta do petróleo ampliou essa diferença. Segundo relatório da ABICOM, em 5 de março a paridade indicava defasagem de R$ 1,51 por litro.

Para comparação, no primeiro dia de 2026, a paridade estava próxima de R$ 0,00. Na prática, isso reforça a pressão por ajustes quando olhamos apenas pelo prisma internacional. Ao mesmo tempo, o cenário político interno, ainda mais em ano eleitoral, torna qualquer previsão mais difícil, porque decisões de preço passam a ter custo político e impacto direto na percepção pública.

No fim, o fato é que março começou pressionando frotistas, postos e distribuidoras por várias frentes: altas em refinarias privadas, maior custo do diesel importado e aumento da defasagem em relação ao mercado internacional. Para o transporte rodoviário, isso aparece rápido no caixa: sobe o custo do frete, apertam as margens e cresce a necessidade de renegociar gatilhos de reajuste para não operar no vermelho. Nas próximas semanas, o mercado deve seguir sensível ao cenário externo e ao câmbio, e qualquer movimentação (ou manutenção) da Petrobras pode mudar o ritmo dessa pressão.

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Vitor Sabag

Vitor Sabag é CRO e especialista em combustíveis no Gasola by nstech, com atuação focada em análise de preços, dinâmica do mercado de diesel e impactos econômicos no transporte e na logística. Produz conteúdos técnicos e estratégicos para apoiar a tomada de decisão de frotas e empresas em todo o Brasil.

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